Castelo de Chambord e o Bicho da Seda

01/12/2016

 

França, Vale do Loire, Chateâu de Chambor onde já estive três vezes. No começo do Renascimento, Francisco I morava em dois castelos: o Château de Bois e o Château Amboise. Precisando de um Pavilhão de Caça mandou construir este castelo de Chambord, no século XVI.

 

Acabou se tornando o maior palácio do Vale do Loire. Talvez por isso seja um castelo frio, não planejado inicialmente para moradia, porém, como a corte francesa era itinerante cansando-se facilmente dos lugares, habitavam de vez em quando Chambord. Uma arquitetura primorosa, no estilo Renascentista Français (formas medievais francesas) combinadas com estruturas clássicas italianas.

 

Em julho de 2008 (foto a seguir), eu estava com o grupo ouvindo as explicações históricas do guia, quando caiu uma folha de uma árvore e passou por minha cabeça, minha testa, meu rosto, meu corpo, e parou em cima de meu pé. Perguntei ao Guia qual o nome da árvore, ele respondeu que eram amoreiras plantadas pelo Rei Francisco I para alojar o bicho da seda que teceria os fios para as roupas reais. Era verão, não havia uma folha sequer no chão, nenhuma folha mais caiu, embora alguns do grupo quisessem também uma folha. Guardei essa folha num álbum, para me lembrar das roupas que, quem sabe, num passado muito distante possivelmente vesti, e algum fantasma do castelo me mandou um recado. Meus amigos, o casal Maristela e Cláudio Manfroi, testemunharam.

 Agosto de 2011 (foto a seguir).  Fazia muito frio, mas eu tirei o casaco porque estava nem aí por causa do encantamento mágico do lugar, embora falte neste castelo as 07 mulheres fantasmas, cheias de energia, do castelo Chenonceau. O estilo renascentista da arquitetura deve-se oficialmente a Domenico da Cartona. Outros autores dizem que foi Philibert Delorme, porém, como foi construído de 1519 a 1547, muitos arquitetos interferiram. Em 1913 um escritor Marcel Raymond escreveu que o convidado de Francisco I, Leonardo da Vince (contei sobre esse convite quando falei do Castelo de Amboise) teria feito o projeto original. Especialistas afirmam que há traços nítidos do estilo Da Vinci, contudo ainda nada se comprovou.

Setembro 2013 (foto a seguir), visitei com minha filha. Lindíssimo! O ar estava gelado! A fachada tem 128 metros, 800 colunas esculpidas e um telhado trabalhado em detalhes! Isto deve-se ao fato de que Francisco I sonhou com Chambord tendo a silhueta de Constantinopla, daí este detalhamento esculpido.

Na frente do Castelo tem um rio, que antes não passava aí. Francisco I gastou uma fortuna, mas exigiu que esse rio fosse desviado para passar em frente ao castelo. Não sei se por decoração, ou se para fins do esporte da caça, ou se apenas para mostrar poder diante da natureza, porém, que foi um avanço para a época foi, embora os romanos já desenvolvessem essa proeza há milênios nos aquedutos de Roma (ainda hoje lá em Roma, para quem quiser ver e comprovar que os romanos ensinaram tudo de arquitetura à humanidade).

 A  fortaleza central tem 04 torres magníficas nos quatro cantos. Na fachada há 02 torres bem largas. O telhado mostra 11 tipos de Torres e 03 tipos de chaminés sem simetria, entre as torres principais, por isso, também dá a impressão de que se está vendo a silhueta de uma cidade.  Este conjunto é um bálsamo para os olhos! Vejam a maquete do telhado. Lembra ou não Constantinopla?

Nunca houve intenção de proteger o palácio, assim, as torres, fosso, etc. eram somente decorativas.

Como a planta do castelo tem paralelo com o Norte da Itália, é possível que tenha sido feito por Da Vinci. Esta escadaria interna em dupla-hélice ou em forma de espiral,  também é um estilo Da Vinci. Quem desce ou sobe não vê se outra pessoa está circulando na escadaria, nos 04 andares. Experimentei esse fenômeno com minha filha, e comprovamos. 

 O palácio tem 440 salas, 365 lareiras e 84 escadarias. Quatro abóbodas retangulares, uma em cada piso, formando uma cruz. Muitos móveis, peças e objetos decorativos foram saqueados na Revolução Francesa. Contudo, alguns ambientes ainda estão preservados. 

 

 

Em torno, um parque de 13 mil  alqueires, e uma reserva florestal. E o bicho da seda.

 Na cidade vizinha tem um restaurante simples, com pratos franceses elaborados, o “Du Parc”. Imaginem que há períodos em que Chambord tem show de luzes à noite, além de um jantar no castelo. Cada vez que fui ali, voltei ao passado pisando na história. Castelo forte, ousado e apaixonante! 

 

 

 

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ESCRITO POR MARLENE VAZ

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