Mont Saint Michel e o Jejum dos Monges

27/11/2016

O Mont Saint Michel fica no limite entre a Normandia e a Bretanha e distante 360 km de Paris. O monte está ligado ao continente por um istmo, e o acesso a veículos somente é possível quando a maré está baixa.

Contam que o bispo Avranches sonhou que São Miguel (Saint Michel) Arcanjo lhe pedia para construir uma pequena igreja, no ano 708 (Foto abaixo).

 No séc. 11, um grupo de beneditinos mudou-se para lá e construíram a Abadia, com pedras trazidas pelos pescadores da região. Imagina-se o esforço para levantar essas pedras, pois o mosteiro possui a Grand Degré com 350 degraus, que lhe leva a três níveis até chegar ao topo.

Os monges tiveram que ceder espaço para militares na Guerra de Cem Anos. No séc. XIII a construção foi fortificada. Na Revolução francesa, perdeu seu caráter religioso tornando-se uma prisão até 1863. E em 1979, a Abadia foi declarada Patrimônio da Humanidade.

Logo na entrada está o hotel e o restaurante mais famoso, o La Mére Poulard, famoso por seus gigantes omeletes, que ela revelava o segredo: bata as claras separadas das gemas. E apreciados por Ernest Hemingway, Leon Trotsky, Yves Saint-Laurent, Alberto Santos Dumont, Alexandre Dumas, entre outros. E por mim.

Em seguida, a formidável arquitetura medieval foi contaminada por inúmeras lojinhas com produtos made in China.  Um horror! Milhares de turistas de todo o mundo.

Vejam este pequeno detalhe de um trabalho de arte, com muitas peças, escrito: Pelourinho, Brasil.  Como baiana, quase morri!

A roda com cordas por onde subia a comida dos monges, cujo refeitório era no último andar.

Cheguei ao último piso ou o claustro onde viviam os monges. Uma vitória, ou melhor, só a vontade de compreender a vida na Idade Média nos leva a esse sacrifício de subir 350 degraus. A maioria das pessoas desiste pelo caminho. 

O refeitório dos monges ficava no último andar e sem aquecimento. Na Idade Média a comida era escassa, o transporte dos alimentos era ineficiente e as técnicas de preservação eram precárias, além do preço alto das carnes e dos vegetais. A base da alimentação era o pão e as uvas, de onde extraiam também o vinho. Havia um decreto que proibia a classe trabalhadora de consumir alimentos refinados. Quem fazia trabalhos manuais deveria comer alimentos vulgares. Grande parte do ano, católicos não deveriam comer carne. O jejum da quaresma proibia carne de animais e os derivados leite e ovos. O jejum era uma restrição religiosa. Assim, os monges deveriam comer pouco todos os dias do ano, portanto o refeitório era muito frio, para que eles concluíssem rapidamente as duas refeições. Uma ao meio dia e outra, a ceia, ao anoitecer.

 E no cume da Abadia há uma estátua dourada de São Miguel Arcanjo matando o dragão, que simboliza o Mal.

Sei que nunca mais verei uma obra medieval igual a esta. A Abadia é a prova da inteligência e da fé da humanidade. 

 

 

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ESCRITO POR MARLENE VAZ

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